A plataforma multinacional Google afirma estar preocupada com as ‘más influências’ que existem na Internet, principalmente para os mais jovens. Precisamente a pensar nesta camada populacional a Google apresenta hoje cinco recomendações para tornar a Internet mais segura.
Assinala-se esta terça-feira o ‘Dia da Internet mais segura’. Uma data que visa chamar á atenção para os perigos e as formas de salvaguarda de quem navega neste universo virtual, agora num contexto mais vasto, onde a Inteligência Artificial entrou e alterou regras que ainda não estavam completamente enraizadas no controlo do conhecimento digital da população.
Como alvo principal os jovens, principais atores ativos neste mundo digital, a Google dá a conhecer a alunos, pais e formadores, ferramentas em que estes podem trabalhar em conjunto para manter o foco numa aprendizagem segura e eficaz.
Inteligência Artificial: Mais do que simples entretenimento
A multinacional tecnológica Google andou a analisar o comportamento digital dos cibernautas e pela primeira vez, as pessoas referem que a sua principal motivação para utilizar a IA não é o entretenimento, mas sim a aprendizagem. Os adolescentes, em particular, estão entusiasmados, e procuram cada vez mais orientação e equilíbrio neste mundo virtual, que continua a ter muitas armadilhas.
Neste contexto, e no dia em que se promove a Internet Segura, a Google dá cinco formas para estabelecer essa margem digital.
Apoiar a aprendizagem com limites online/offline mais inteligentes
Uma das questões que o utilizador da Internet deve ter em conta é o envolvimento e o tempo dedicado a esta tecnologia. Saber quando se deve afastar pode ser tão importante como saber quando se deve envolver.
Neste sentido a Google refere proteções como a Pesquisa Segura, que por defeito estão ativadas para os mais pequenos, e o Family Link – uma aplicação de controlo parental gratuita que permite a gestão e supervisão dos pais sobre os os dispositivos Android e Chrome OS dos filhos – pode ajudar a estabelecer limites mais inteligentes, incluindo a gestão do tempo de ecrã, aprovações de aplicações, filtros de conteúdo, definições de privacidade e muito mais. Também a funcionalidade “Horário escolar” promove uma aprendizagem sem distrações, limitando a funcionalidade do dispositivo durante o horário escolar e dos trabalhos de casa.
Promover o pensamento crítico na era da IA
No mundo da aprendizagem, qualquer pessoa que procure pesquisar algo, é necessário saber o “porquê” tão facilmente como o “o quê”. Neste campo a Google refere a ferramenta de IA Gemini, como um guia de aprendizagem. Aqui, refere a multinacional, os alunos são orientados para abordar problemas complexos passo a passo, incentivando o pensamento crítico em vez de atalhos e respostas fáceis. De acordo com as estatísticas atuais, quase três quartos das pessoas utilizam a IA na educação e a maioria dos professores acredita que a IA vai melhorar o desempenho dos alunos, com o devido controlo e analise, é certo.
Ajudar os jovens a identificar conteúdo de IA e a avaliar informações online
Com a crescente popularidade de modernas ferramentas criativas fornecidas através da IA, compreender a origem e o contexto dos meios com os quais interagimos torna-se cada vez mais importante. Entre as práticas recomendadas, entre eles o método “SIFT” – técnica de literacia mediática e verificação de informações – no programa de formação Super Searchers (Parar, Investigar a fonte, Encontrar a melhor cobertura e Rastrear afirmações ao contexto original), estas ferramentas ajudam os alunos a avaliar criticamente a informação que a rede apresenta.

Foto: Unsplach
Por exemplo, a funcionalidade “Acerca desta imagem” que a Google fornece no seu motor de busca, fornece um contexto e informação útil sobre as imagens encontradas. Também a ferramenta SynthID, uma outra funcionalidade da multinacional, identifica quando uma imagem, áudio, ou vídeo foram criados através da IA da Google.
A importância de envolver os pais e tutores
Apesar da ‘independência’ natural do mais novos, não é errado ter envolvido nestas tendência digital, alguém ‘mais experiente’, desde que devidamente informados, e claro alertados para as armadilhas existentes na Internet.
No caso em particular dos mais novos, os pais podem manter-se envolvidos compreendendo as plataformas, sites e jogos que os seus filhos utilizam e trabalhar em conjunto para estabelecer regras e padrões familiares, seja para aprendizagem, socialização ou outras atividades.

Foto: Unsplach
Por exemplo, as contas supervisionadas do YouTube para adolescentes estão construídas para respeitar a crescente autonomia dos jovens e garantir com que os pais estejam a par de tudo, fornecendo informações partilhadas sobre a atividade do canal dos adolescentes, incluindo o número de carregamentos de vídeos, subscrições e comentários.
De acordo com a Google, já este ano, foi introduzido um conjunto de princípios de qualidade, que visa facilitar a procura de conteúdos de alta qualidade, enriquecedores e adequados para a idade dos adolescentes no YouTube.
Melhore a cidadania digital
Nesta aldeia global, o universo online é já uma comunidade bem presente, e a boa cidadania vai para além da convivência pessoal e da sala de aula. Sendo cada vez mais o ciberbullying uma preocupação crescente, é prioritário ensinar os fundamentos da cidadania digital e da segurança online. A pensar nessa questão o programa Be Internet Awesome disponibiliza recursos para educadores e famílias capacitarem os jovens para serem inteligentes, atentos, fortes, gentis e corajosos na Internet.

Foto: Unsplach
Especificamente em Portugal, em parceria com MiudosSegurosNa.Net (projeto Agarrados à Net), a Google lançou o programa Conheça o NOA (Meet LEO). Esta é uma iniciativa que procura capacitar pais e educadores na gestão da segurança digital de crianças e jovens através de ferramentas como Family Link, SafeSearch e o guia Be Internet Awesome. Um programa que procura alcançar 300 formadores diretamente, com um impacto em cascata projetado para mais de 9.000 pais e educadores em todo o país ao longo do ano.
De acordo com a multinacional tecnológica, o acesso à Internet deve ser universal, e respeitando e utilizando as devidas precauções, estas ferramentas digitais abrem novos caminhos de aprendizagem, criatividade e oportunidades para os jovens.
Nuno Patrício – RTP