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Imagem de “Não serei oposição, serei exigência”. Seguro é o presidente eleito e o mais votado de sempre
Foto: José Coelho - EPA
Portugal 9 fev, 2026, 00:22

“Não serei oposição, serei exigência”. Seguro é o presidente eleito e o mais votado de sempre

Seguro conquistou 66,82 por cento dos votos

Imagem de “Não serei oposição, serei exigência”. Seguro é o presidente eleito e o mais votado de sempre
Portugal 9 fev, 2026, 00:22

“Não serei oposição, serei exigência”. Seguro é o presidente eleito e o mais votado de sempre

Seguro conquistou 66,82 por cento dos votos

António José Seguro alcançou não só a vitória, como um recorde de número de votos em eleições presidenciais em Portugal. Prometendo ser o presidente de “todos, todos, todos os portugueses“, o socialista reiterou a sua independência e deixou recados ao Governo.

António José Seguro conquistou este domingo, na segunda volta das eleições presidenciais, 66,82 por cento dos votos, ultrapassando largamente o adversário André Ventura, que arrecadou 33,18 por cento, e conseguindo um maior número de votos do que Mário Soares no sufrágio de 1991. No seu primeiro discurso enquanto presidente eleito, o socialista garantiu que não será oposição, mas sim exigência.

“A minha primeira palavra é de pesar pelas 15 vidas perdidas causadas pela catástrofe que nos atingiu, de condolências às suas famílias e de solidariedade total com quem ficou sem casa ou sem empresa”, começou por declarar António José Seguro.

O presidente eleito aproveitou para deixar um recado ao Governo de Luís Montenegro, prometendo que não irá aceitar burocracias no que diz respeito aos apoios anunciados para as regiões afetadas pelo mau tempo.

O socialista vincou que “a solidariedade dos portugueses foi heroica”, mas “não pode nunca substituir a responsabilidade do Estado”.

“Os 2,5 mil milhões de euros prometidos para a reconstrução têm de chegar ao terreno agora. Não aceitarei burocracias que impeçam a chegada dos apoios a quem já perdeu tanto ou mesmo tudo”, assegurou, adiantando que irá visitar as zonas afetadas para garantir que os apoios estão a chegar. Para António José Seguro, “os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia”.

O vencedor da segunda volta eleitoral deixou uma palavra ao adversário André Ventura: “Como democrata, todos os que concorreram comigo neste processo eleitoral merecem o meu respeito”.

“Como futuro presidente da República, acrescento que a partir desta noite deixámos de ser adversários e temos agora o dever partilhado de trabalhar por um Portugal mais desenvolvido e mais justo”, assegurou. “A maioria que me elegeu extingue-se esta noite”.

“Jamais serei um contrapoder”

António José Seguro apresentou-se como “o presidente de todos, todos, todos os portugueses”, incluindo os que não votaram em si, e disse, com o “coração cheio”, que esta vitória não é sua, mas de “cada pessoa que acreditou e tem esperança num país melhor”.

O presidente eleito repetiu, no seu discurso, uma frase que marcou a campanha: “Sou livre, vivo sem amarras”.

“A minha liberdade é a garantia da minha independência”, frisou, voltando a prometer lealdade e cooperação institucional com o Governo. “Jamais serei um contrapoder, mas serei um presidente exigente com as soluções e com os resultados”.

“Não serei oposição, serei exigência. A estabilidade política que defendo é um meio para garantir condições de governabilidade, nunca um fim para manter tudo na mesma”, acrescentou.

“Não será por mim que a legislatura será interrompida“, assegurou.

“Não falarei por tudo e por nada mas, quando falar, será para defender o interesse público, garantir a independência nacional e assegurar as condições do exercício da nossa soberania”, declarou o eleito pelos portugueses, acrescentou que “o medo paralisa, é a esperança que constrói”.

Seguro garante que “em Belém, os interesses ficam à porta”

O presidente eleito lembrou que, terminado um ciclo eleitoral de três eleições e quatro idas às urnas em nove meses, abre-se um novo ciclo de três anos sem eleições nacionais.

“Não há desculpas: Portugal tem uma oportunidade única para que os partidos políticos, o Parlamento e o Governo encontrem soluções duradouras para resolver os graves problemas que enfrentamos na saúde, no acesso à habitação, na criação de oportunidades para os jovens, no combate à desigualdade entre homens e mulheres, na diminuição da pobreza, na criação de riqueza e de melhores condições de vida para todos os portugueses”, alertou.

“Comigo não ficará tudo na mesma”, prometeu. “Devemos isso aos portugueses. Estarei vigilante. Farei as perguntas difíceis e exigirei as respostas que o país precisa. E em Belém, os interesses ficam à porta. A transparência e a ética são inegociáveis”.

Ventura vê horizonte na derrota: “Vamos em breve governar este país”

No seu discurso após conhecidos os resultados da segunda volta, André Ventura assumiu a derrota e afirmou que “o sucesso de António José Seguro à frente de Portugal será o sucesso de todos“.

Mesmo não vencendo, o candidato apoiado pelo Chega quis salientar que “este partido teve o seu melhor resultado de sempre“, recordando que superou o resultado que a Aliança Democrática obteve nas eleições legislativas.

“Acho que é justo dizermos, olhando para o resultado desta noite em que superamos o resultado da AD nas últimas legislativas, que os portugueses nos colocaram no caminho para governar este país“, disse Ventura.

O líder do Chega deixou uma garantia: “Lideramos a direita em Portugal e vamos em breve governar este país“.

“Não vencemos, mas estamos no caminho dessa vitória“, asseverou. “Vamos liderar a direita em Portugal“, reiterou, afirmando que o resultado nestas presidenciais “deu-nos estímulo para governar” o país.

Joana Raposo Santos, Mariana Ribeiro Soares – RTP

Eleições Presidenciais

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