Os agricultores pedem medidas de apoio face ao que consideram ser concorrência desleal com a entrada de produtos da América do Sul no país.
Os agricultores franceses voltaram esta terça-feira às ruas de Paris em protesto contra a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que contou com o voto contra da França.
Cerca de 350 tratores da Federação Nacional dos Sindicatos Agrícolas (FNSEA) e da Juventude Agrícola, chegaram às primeiras horas da manhã a Paris, vindo do norte de França. Percorreram as principais artérias da cidade, como os Campos Elísios, até chegarem à Assembleia Nacional, onde se reuniram num cordão com 1,2 quilómetros.
Os agricultores prometem “ficar até sermos ouvidos”, tendo o presidente da FNSEA, Arnaud Rousseau, reunido com a presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, e com o presidente dos Republicanos, Bruno Retailleau. Irá reunir-se com representantes do governo esta tarde.
Les quais ce matin, aux abords de l’Assemblée nationale. @BFMTV pic.twitter.com/nBrUum3Q6F
— Marie Gentric (@MarieGentric) January 13, 2026
Rousseau pede “um texto de urgência” e o “encaminhamento ao Tribunal de Justiça da União Europeia para que a jurisdição competente possa determinar se o acordo UE-Mercosul está ou não em conformidade com o direito europeu”.
Ao contrário da manifestação da passada quinta-feira, convocada pela Coordenação Rural, foi autorizada pela Prefeitura da polícia.
A ministra da Agricultura e Soberania Alimentar, Annie Genevard, apelidou o protesto de “preocupação legítima, que compreendo perfeitamente”, mas apela “à calma e ao respeito pelas pessoas e pela propriedade”.
Através da rede social X, a governante lembra que foi apresentado na passada sexta-feira “plano de emergência que aumenta o compromisso do Estado para 300 milhões de euros e prevê simplificações concretas”, como a proibição da importação de produtos que contenham substâncias fitofarmacêuticas proibidas, e a suspensão do Mecanismo de ajustamento carbónico fronteiriço para fertilizantes.
Um dos pontos de maior tensão, a barricada na autoestrada A64, perto de Toulouse, erguida há um mês, começou a ser desmantelada pela polícia às 4h00 (3h00 em Lisboa), tendo sido totalmente removida ao final da manhã. No entanto, o grupo Ultras da A64 já prometeu “remobilizar”.
Uma das causas dos protestos é o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países da Mercosul. Este acordo foi concluído em 2019, mas só foi aprovado pela UE na passada sexta-feira, e será assinado este sábado, no Paraguai.
O acordo permite uma eliminação gradual das tarifas sobre os produtos agrícolas sul-americanos, o que preocupa a França, que votou contra o acordo, por receio de circulação de produtos que não cumpram as normas sanitárias do espaço comunitário.
No entanto, a UE defende o acordo como uma alternativa à dependência face à China e uma poupança de cerca de quatro mil milhões de euros em tarifas e prometeu apoios aos agricultores, como o reforço do orçamento comunitário para a agricultora, para atenuar o impacto da proposta redução da Política Agrícola Comum (PAC).
RTP