Na Conferência de Segurança de Munique, o secretário de Estado norte-americano defendeu a importância de aliados fortes “capazes de se auto-defenderem“.
Já a presidente da Comissão Europeia diz que os 27 devem procurar um pacto de defesa mútua e procurar novas parcerias.
Houve alívio na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, à medida que os aliados iam ouvindo o discurso de Marco Rubio, este sábado.
As palavras do secretário de Estado norte-americano foram muito aplaudidas.
Num momento de grande tensão transatlântica, Rubio lembrou a sua história pessoal de familiares migrantes e assegurou que os Estados Unidos “não querem separar-se dos aliados, querem antes revitalizar uma amizade antiga“.
O responsável pela diplomacia norte-americana vincou que pretende “contribuir para um caminho de prosperidade” ao lado dos aliados.
“Agirmos juntos ajudará a restabelecer uma política externa saudável. O ontem acabou. Um novo destino espera-nos juntos“, afirmou Marco Rubio.
Acrescentou ainda que os Estados Unidos “não querem que os aliados sejam fracos, querem que eles sejam capazes de se auto-defenderem de modo a que nenhum dos nossos adversários tentem testar-nos”.
Europa deve procurar novas parcerias
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, falou logo a seguir e não se mostrou impressionada.
Defendeu que a União Europeia deve “dar vida” a um pacto de defesa mútua ancorado no seu tratado fundador.
A responsável considerou ainda que a União Europeia enfrenta a ameaça muito clara de forças externas que tentam enfraquecer o bloco comunitário “por dentro“.
“É nosso compromisso coletivo apoiarmo-nos mutuamente em caso de agressão, ou em termos simples: um por todos e todos por um. E este é o significado da Europa“, assinalou.
“Nunca fazem a mesma questão a Putin”
Zelensky foi o mais aplaudido na conferência de Munique. Durante os primeiros minutos agradeceu a todos os que têm apoiado militar e financeiramente a Ucrânia.
Lembrou que o seu país é a barreira para evitar o avanço russo para outros países da Europa.
O presidente da Ucrânia disse que o seu país tem as melhores Forças Armadas da Europa e que estas merecem estar na NATO.
Voltando-se para os aliados desafiou a que essa seja uma decisão “da NATO e não de Putin”
Segundo o chefe de Estado ucraniano, a Rússia está a perder 156 homens por km2 conquistado. A Ucrânia, com o apoio de drones, está a matar uma média de 30 mil soldados russos cada mês.
As armas evoluem mais “do que as decisões políticas“, alertou Zelensky.
O líder ucraniano disse ainda que está a trabalhar com os Estados Unidos na aquisição de mísseis Tomahawk, mas queixou-se de que, em cada conversação, os norte-americanos perguntam a Kiev qual é a contrapartida que podem receber, sendo que “nunca fazem a mesma questão a Putin“.
Neste discurso, Zelensky disse estar convicto de que Putin é um escravo da guerra, só “existe por causa dela“.
Rosário Salgueiro , RTP